A Grandeza dos animais e a consciência animal que ainda negamos
- Sabina Secchin Scardua
- 3 de mar.
- 3 min de leitura
Quando a profundidade vem de onde não esperamos
“Cuidar do outro é como cuidar de si mesmo. O entrelaçamento energético e psíquico entre dois seres com a mesma intenção é revolucionário, transformador. Quando as intenções não estão alinhadas, resta apenas ruído e sofrimento.”

Esse foi o recado que uma cadelinha de personalidade forte, alma nobre e presença marcante me pediu para entregar a um grupo de veterinários. Ao conversar com ela, expliquei que daria uma aula em seguida e perguntei se havia algo que gostaria de dizer. Ela tinha um histórico clínico complexo e ampla experiência com o universo veterinário.
Trago essa fala não para discutir comunicação intuitiva entre humanos e animais. O ponto que quero destacar é outro.
O incômodo que revela mais do que parece
Ao transmitir a mensagem durante a aula, alguém comentou que talvez não fosse a cadela falando, mas uma entidade espiritual — afinal, o conteúdo parecia profundo demais para vir de um animal. A pergunta, em si, não me surpreendeu. Questionamentos fazem parte de qualquer campo de estudo sensível. O que me tocou foi o que estava implícito ali.
O incômodo não surgiu por colocarem em dúvida a comunicação, mas aproveito para ressaltar que um comunicador experiente sabe com quem está em contato e percebe a presença de diferentes consciências envolvidas. O incômodo veio da dificuldade de aceitar que um animal pudesse expressar algo tão elaborado. Foi isso que me pegou — e, sim, me ofendeu. Não pessoalmente, mas em nome dos animais e de sua grandeza.
Por que a grandeza animal ainda nos desconcerta
Por que seria tão difícil acreditar que um cachorro, uma onça, um boi ou um cavalo possa ter um nível de consciência profundo, sofisticado ou até superior ao nosso? Será que ainda operamos a partir de um antropocentrismo tão arraigado que nos impede de reconhecer sabedoria fora dos moldes humanos? Talvez porque os animais corram, brinquem ou façam coisas que julgamos bobas. Mas nós, humanos, também não fazemos?
Os animais não utilizam a linguagem verbal como nós, mas isso não os torna simples. São seres complexos, com emoções, vínculos e percepções refinadas. A própria ciência reconhece oficialmente isso há mais de uma década. A Declaração de Cambridge sobre a Consciência Animal afirma que “o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos” (Para saber mais: http://fcmconference.org/).
A sutileza com que diminuímos os animais
Ainda assim, seguimos diminuindo os animais de diversas formas. Alguns são, de fato, mais ingênuos; outros, altamente sofisticados. Existe uma variedade imensa de consciências — assim como entre os próprios humanos.
Não escrevo a partir de um lugar militante. Não tenho vocação para o embate nem para discursos inflamados. Mas me inquieta perceber formas sutis de diminuir o animal, mesmo quando isso vem disfarçado de boa intenção ou espiritualidade. Frases como “os animais estão a serviço”, “têm uma missão conosco”, “são anjos”, “vieram nos ensinar” soam bonitas, mas frequentemente reforçam uma hierarquia: eles lá, simples; nós aqui, complexos.
Igualdade real exige escuta real
É verdade que os animais conquistaram um novo status social. São mais protegidos, mais respeitados — ainda bem. Mas ainda podem ir além do lugar que lhes concedemos. Podem se expressar mais, contribuir em níveis mais profundos, desde que sejam vistos com real igualdade.
Isso exige perguntas honestas:
Qual é a vontade desse animal?
O que sua essência deseja viver e expressar no mundo?
Com o que ele quer, de fato, contribuir?
Faço aqui uma reverência aos animais e convido você a fazer o mesmo. A aceitar que alguns deles podem ser tão complexos, criativos e sábios quanto nós — e que essa profundidade pode se manifestar por meio da telepatia ou de outras linguagens ainda pouco compreendidas, mas profundamente sentidas por quem convive de perto com eles.
Um viva à complexidade desconcertante dos animais — e a tudo o que ela nos convida a rever.
Sobre este espaço
Este é um espaço dedicado ao alinhamento psíquico como experiência viva, e às relações entre consciências, presença, ética, profundidade.
Os textos partem de experiências reais e reflexões pessoais, sem a pretensão de ensinar verdades, mas de abrir escutas e deslocar certezas — especialmente no encontro entre humanos e animais e entre humanos e suas próprias essências.
Seja bem-vinda, bem-vindo. Este é um convite à atenção.
Sabina
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Toda minha admiração e respeito!!!Obrigada ,Sabina ,por ama-los ,como eu!!!❤️🐶😻🐴🐮